sexta-feira, 27 de novembro de 2015

PARECIA IMPOSSIVEL

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Meu nome é Mauricio, tenho 23 anos, nasci na província de Salta, no Norte da Argentina.
Cresci vendo maus-tratos e espancamentos na minha casa. Eu tinha um pai alcoólatra e agressivo. Ele batia tanto na minha mãe que eu a via implorando de joelhos pedindo que não a machucasse. Minha infância se tornou cheia de medos e nervosismo por causa dessa situação.
A minha decepção com o meu pai era tão grande que eu nunca o chamava pelo que ele era: “pai”. Para mim, ele não merecia o meu respeito. Ele não tinha emprego fixo e vivia apenas fazendo “bicos”.
Lembro que eu era apenas um menino e saía para roubar com ele no centro da cidade para trazer a refeição do dia. Entrávamos em um local, e eu estava pronto para cobrir, para que ele pudesse roubar as coisas e depois vendê-las.
Desde a infância eu era tratado como uma menina. Escutava frases como: “Menina da mamãe” ou palavras relacionadas. Essas palavras foram traumáticas para mim.
Quando eu era criança, costumava jogar futebol. Gostava de sair com outros meninos, mas, ao mesmo tempo, pensava em como eles me tratavam, e isso me levava a fazer coisas de mulheres: usar roupas, brincar com bonecas etc.
No meu interior nunca tive paz, jamais! O vazio que eu tinha era muito grande. E aí começou o processo de confusão. O ódio, principalmente do meu pai e do meu irmão, aumentava e me atormentava por causa do desprezo que eles tinham por mim.
A violência era muito grande, ninguém se respeitava.
Certa manhã de domingo, meu pai estava bêbado e me bateu tão forte que eu também reagi e bati nele. Minha mãe sempre me defendeu, mas dessa vez ela não estava.
Em um momento de violência gritei: “PARA! Some da minha casa!”. Ele saiu correndo para um rio e depois nunca mais voltou. Eu tinha 14 anos na época.
Numa segunda-feira à noite, a polícia bateu na porta anunciando que ele havia se suicidado, se enforcou. Foi tão difícil para mim, porque eu sabia que era minha culpa por causa da discussão que tivemos.
Depois disso, eu ainda continuava confuso com os traumas e insultos que não acabavam. Comecei a andar no mundo da homossexualidade a fim de aprender a me transformar em uma mulher. Comecei a usar peruca, maquiagem, roupas extravagantes, sapato alto e saía sozinho à noite sem a minha família me ver. Deixei o colégio e comecei a minha “vida nova”. Gostava de me sentir assim.
Tive um relacionamento com um jovem por um ano. Depois de um tempo ele decidiu me deixar e eu não aceitei, fiquei cego por esse sentimento. Não queria viver mais, tomava pílulas e me cortava.
Então, mergulhei mais e mais nesse mundo obscuro e comecei a me prostituir na rua. Trabalhava nas ruas apenas por dinheiro. Fumava, ia para as baladas, bebia durante dias. Eu ficava muito tempo na internet, em sites de encontros sexuais. Comecei a injetar hormônios para me parecer mais com uma mulher. Eu me chamava de “Jazmin” e odiava quando me chamavam de Mauricio – ele já estava morto para mim.
Fugi da polícia várias vezes, me levaram para a cadeia por horas por estar na rua, mas eu ainda assim continuava. Cheguei a ser ameaçado com arma para ter relações de graça. A vida de um travesti é a rua, e ele recebe abusos inimagináveis, além dos riscos de doença e morte.
Eu estava com medo e não conseguia dormir. O medo tomou conta de mim. Eu não podia estar sozinho, maus pensamentos me atormentavam.
Fui a um curandeiro para me liberar da morte, mas não funcionou, todos os dias era pior. Ia também à Igreja Católica, mas eu sentia que era em vão.
Meu vazio era muito grande, só Deus sabe como eu me sentia. Uma coisa eu sabia: a minha vida estava acabando.
Durante três semanas eu vi a TV Universal e não conseguia dormir à noite. Não queria ir àquela igreja, mas foi a minha última opção. Eu queria morrer, não podia suportar a minha vida, que era uma vergonha para todos.
Minha mãe me encorajou a ir, e eu fui. Quando cheguei, numa sexta-feira, o dia da libertação, tudo foi diferente. Vi outro mundo lá. Mesmo sem entendimento, no salão da igreja, fui convidado para o FJU. Já no outro dia estava lá para participar da reunião com os jovens. A primeira vez que fui, eles me perguntaram o meu nome, e eu disse: “Eu sou Mauricio”. Assim, vestido de mulher como eu estava, foi quando o Mauricio acordou.
Eles me trataram normal, sem nenhuma discriminação, eu era mais um. Eles não tinham vergonha de mim. Naquele dia me senti muito bem com a forma como fui tratado. Sempre assistia à reunião do FJU, comecei a perseverar.
A primeira mudança foi que eu conseguia dormir à noite; meus pensamentos começaram a mudar com o tempo. Eu era como uma mulher, mas eu era mais um deles. Eles acreditaram em mim.
Comecei a fazer a minha parte. Ninguém me disse para voltar para a minha aparência normal, mas certa vez, algum líder me disse que o Espírito Santo iria me transformar. Ele me disse que Deus havia me escolhido, que não foi coincidência eu ter chegado lá. Eu era um escolhido. Aquela palavra me marcou.
Em vez de me pintar, me vestir como mulher, meus pensamentos mudaram. Eu sabia que não deveria ser assim. Deus me fez homem. Tudo foi aos poucos, mas decisivo. Um pensamento me dizia para parar de fazer algo, e eu obedecia. Assim, perseverando, chegou a hora de cortar o meu cabelo.
Vendi tudo que eu tinha de moda feminina e cosméticos, e quando terminei, foi um peso que tirei da minha vida. Eu estava feliz. Eu me sentia feliz. Pensamentos de não viver mais desapareceram, meus medos fugiram. Como eu decidi deixar tudo, eu também decidi me libertar e usar a minha fé. Retomei os meus estudos, e o mais importante, nasci de novo.
Toda a minha vida mudou. Perdoei e esqueci o meu passado.
Hoje eu tenho o Espírito Santo, fui selado por Ele. Tenho certeza de que o Senhor Jesus me escolheu para dar testemunho a milhares de pessoas que vivem esse tipo de vida.

Hoje estou feliz! Quero ser alguém na vida e servir a Deus até os meus últimos dias.
Mauricio Santucho

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